A Empatia Cristã - Cuidado e Responsabilidade para com os Animais






A empatia não é apenas uma virtude humana, mas um reflexo da imagem de Deus em nós. No contexto cristão , essa empatia se estende aos animais, criados por Deus e colocados sob nossa responsabilidade. Neste texto, pretendo expor como a Bíblia e a doutrina reformada nos chamam a tratar os animais com compaixão, ilustrando essa verdade com o caso recente da morte do cão "Orelha" em Florianópolis, e conectando-a a insights científicos sobre o comportamento humano.


A Fundamentação Bíblica e Teológica Reformada

A teologia reformada, inspirada em figuras como João Calvino e fundamentada nas Escrituras, ensina que Deus criou o mundo bom e ordenado (Gênesis 1:31). Os animais, embora subordinados ao homem, fazem parte da criação divina e devem ser tratados com respeito. Em Gênesis 1:26-28, Deus dá ao homem domínio sobre os animais, mas esse domínio é responsável e benevolente, não tirano. Calvino, em seus comentários, enfatiza que o homem é mordomo da criação, devendo cuidar dela como reflexo da soberania de Deus.

Provérbios 12:10 declara: "O justo cuida bem do seu animal, mas o coração dos ímpios é cruel." Essa passagem destaca que a compaixão para com os animais revela um coração justo, moldado pela graça de Deus. A teologia reformada vê na criação um teatro da glória de Deus (como ensinado por Jonathan Edwards), onde cada criatura tem valor intrínseco. Maus-tratos aos animais violam esse princípio, pois desonram o Criador e podem indicar uma ruptura espiritual. Como cristãos, devemos praticar a empatia não por sentimentalismo, mas por obediência à Palavra de Deus, reconhecendo que a crueldade é contrária à natureza redimida em Cristo.


O Caso do Cão "Orelha": Uma Lição Trágica

Recentemente, o Brasil foi abalado pelo caso da morte do cão comunitário conhecido como "Orelha", em Praia Brava, Florianópolis, Santa Catarina. Segundo investigações da Polícia Civil, o animal foi vítima de maus-tratos por um grupo de adolescentes, resultando em ferimentos graves que levaram à eutanásia. O caso ganhou notoriedade após denúncias e imagens que circularam nas redes sociais, revelando atos de vandalismo e crueldade. A justiça determinou a remoção de conteúdos que identificavam os suspeitos, mas a investigação continua, com indiciamentos por maus-tratos e até coação de testemunhas.

Esse episódio ilustra como a falta de empatia pode levar a atos de violência gratuita. Orelha, um cão comunitário que vivia nas ruas, simboliza a vulnerabilidade dos animais abandonados. Do ponto de vista cristão, esse caso nos chama à reflexão: se Deus cuida até dos pardais (Mateus 10:29), quanto mais devemos nós, como mordomos, proteger aqueles que não podem se defender? A morte de Orelha não é apenas uma tragédia animal, mas um sinal de uma sociedade que perde a compaixão, ignorando o mandamento bíblico de cuidar da criação.


A Ciência e a Ética Cristã: Crueldade como Indicativo de Psicopatia

A ciência moderna corrobora a sabedoria bíblica ao apontar que a crueldade para com animais pode ser um sinal precoce de traços psicopáticos. Estudos em psicologia comportamental, como os da American Psychological Association, mostram que indivíduos que maltratam animais frequentemente exibem falta de empatia, manipulação e insensibilidade emocional – características associadas à psicopatia. Essa ligação não é casual: a crueldade animal é vista como um "sinal de alerta" para comportamentos antissociais futuros, conforme pesquisas em criminologia.

Sob a ótica cristã, isso reforça a doutrina do pecado original: a depravação total do homem afeta todas as esferas da vida, incluindo o tratamento dos animais. A Bíblia nos ensina que o coração humano é enganoso (Jeremias 17:9), e a crueldade é uma manifestação dessa depravação. Como cristãos, devemos ver na ciência uma confirmação da Palavra de Deus, não um substituto. A empatia para com os animais não é opcional; é essencial para formar caráter cristão, prevenindo a escalada de comportamentos destrutivos.


Conclusão: Praticando a Empatia em Cristo

A empatia para com os animais é um chamado divino, enraizado na soberania de Deus sobre Sua criação. Portanto, devemos cultivar essa virtude através da oração, do estudo das Escrituras e da ação prática – adotando animais abandonados, denunciando maus-tratos e ensinando às gerações futuras o valor da compaixão. O caso de Orelha nos lembra que a crueldade não é isolada; ela reflete um coração necessitado da graça redentora de Cristo. Que possamos, como mordomos fiéis, honrar a Deus cuidando de todas as Suas criaturas, promovendo uma sociedade mais justa e compassiva.

Que Deus nos ajude a viver essa verdade diariamente. Amém.



Marco Cicco