Por um coração alegre

 


"Não entregues tua alma à tristeza e não aflijas a ti mesmo com as tuas preocupações. A alegria do coração é a vida da pessoa, tesouro inesgotável de santidade, a alegria da pessoa prolonga-lhe a vida” (Ec°.30:22,23)


Preocupação não é em si um um mal “desta época”. É um mal do ser humano. O ser humano e sua mania de não se contentar com a realidade do presente e de buscar se ocupar do futuro. O mal da época é a proliferação de mecanismos que geram preocupação e essa, quando persistente, se torna _ansiedade_. Aí deixa de ser um hábito e transforma-se numa neurose, uma doença.

O sábio, por volta do ano 180 a.C., escreveu no livro do Eclesiástico (_não confundir com Eclesiastes!!_) alguns princípios básicos nestes versos citados acima que nos ensinam preciosas lições para hoje:

A TRISTEZA ADVINDA DA PREOCUPAÇÃO É UMA AUTOFLAGELAÇÃO: é aplicar em si mesmo uma tortura cruel diante da impossibilidade de lidar com algo que é, na verdade, algo virtual, potencial e não real. É muito mais um abandono do cuidado de si mesmo do que um caminho de solução. Assim como a preocupação recorrente cria terreno para a ansiedade, a tristeza permanente cria terreno para a depressão e outros inúmeros fatores ligados a ela. Portanto, “_não entregues a sua alma_” a isso.

A ALEGRIA DO CORAÇÃO É A ESSÊNCIA VIDA: é o alicerce da vida plena. Na linguagem do Antigo Testamento, o coração é o centro da vida interior (afetado pelo pecado e que deve ser restaurado por Deus), é a base da estrutura que se relaciona com Deus e com a vida. É mais do que a mente e muito mais que emoção. Assim, ao falar sobre a alegria do coração o sábio está falando sobre um coração literalmente pacificado pela ação de Deus. Por isso é também muito mais do que uma coreografia religiosa. É a realidade interior comunicada no ser exterior nas suas relações com os outros, com a vida e consigo mesmo. É o antídoto contra o mal da preocupação. Então, trata-se de algo a cultivar hoje na perspectiva de quem tem relação com Deus e deseja também pacificar as relações com as outras pessoas e com a própria vida. E veja: a alegria do coração é “_um tesouro inesgotável de santidade_”. Eis aí a sacralidade da alegria que Deus infunde em Seus filhos e filhas. Alegria do coração, tesouro interior, fruto do Espírito.

A conclusão está nas últimas palavras destes versos: “_A alegria da pessoa prolonga-lhe a vida_”. Se isso influencia no prolongamento da vida cronológica não sei, conquanto eu creia que afeta sim em muitos casos. Por outro lado, não há como negar que a alegria do coração prolonga a vida em vários aspectos: na alegria de viver, na alegria relacional (o que atrai e não repele relacionamentos), na vitalidade física, no ânimo, na disposição e no fervor inclusive espiritual. 

Abramos mão da preocupação que tenta assiduamente fazer morada em nossos corações – ou, se já estiver por aí, que tal entregá-la uma ordem de despejo? – e ocupemo-nos de cultivar a alegria do coração. A Fonte é sempre Deus. A partir de uma relação autêntica e honesta com Ele aprendemos sempre os passos seguinte.

*NOTA DE ESCLARECIMENTO*: O livro do Eclesiástico está, dentre outras, na versão da Bíblia chamada Septuaginta (a tradução da Bíblia hebraica usada pelos judeus para o grego feita por volta do Sec. III a.C.), e era a Bíblia que os primeiros discípulos de Jesus e apóstolos liam.

Um abraço fraterno a todos, desejando-lhes corações plenos de alegria. 

Rev. Celso Tavares