As
escolas de teologia dogmática, seguindo a igreja primitiva, para ter um maior e
completo saber da obra salvadora do nosso Senhor, Jesus Cristo, vêem
frequentemente esta obra sob três aspectos fundamentais: a) o ministério de
Sumo Sacerdote; b) seu ministério profético; e c) seu ministério real. Esses
três aspectos são chamados o triplo ministério do Senhor.
O
aspecto comum destes três ministérios no Antigo Testamento era que a pessoa
separada para o chamado de um destes três ministérios era acompanhada por unção
com óleo, e aqueles que passavam por esses ministérios eram alentados pelo
poder do Espírito Santo.
O
próprio nome "Cristo" significa "ungido" (o nome
"Jesus" significa "Salvador"). O Senhor refere-se a Si
mesmo com as palavras do Profeta Isaías quando Ele as lê na Sinagoga de Nazaré:
" "O Espírito do Senhor está sobre mim, porque ele me ungiu para
pregar boas novas aos pobres. Ele me enviou para proclamar liberdade aos presos
e recuperação da vista aos cegos, para libertar os oprimidos e proclamar o ano
da graça do Senhor" (Lucas 4:18-19).
A. Cristo, o Sumo
Sacerdote
O
Senhor Jesus Cristo não é só o Cordeiro de Deus que é oferecido em sacrifício
pela vida do mundo; Ele é ao mesmo tempo Aquele que oferece o Executor do
sacrifício, o Sumo Sacerdote. Cristo é "Tu que ofereces e é oferecido, és
Tu que recebes e distribui" (Hino Cristão Antigo). Ele próprio é oferecido
como sacrifício, e Ele próprio também oferece o sacrifício. Ele tanto recebe
como distribui o sacrifício para aqueles que vêm.
O
Senhor expressou seu ministério Sumo Sacerdotal na terra, no mais alto grau na
oração a Seu Pai que é chamada de "a oração do Sumo Sacerdote," que
foi pronunciada depois da conversa de despedida com Seus discípulos na noite em
que Ele foi preso pelos soldados e da mesma forma na oração em solidão no
jardim de Getsêmani: " Em favor deles eu me santifico, para que também
eles sejam santificados pela verdade. Minha oração não é apenas por eles. Rogo
também por aqueles que crerão em mim, por meio da mensagem deles" (João
17:19-20).
O
Apóstolo Paulo interpreta o ministério Sumo Sacerdotal de Cristo em sua
Epístola aos Hebreus (capítulos cinco ao dez). Ele justapõe o ministério sumo
sacerdotal de Cristo com os ministérios dos Sumos Sacerdotes do Antigo
Testamento e mostra que o sacerdócio de Cristo os ultrapassa incomparavelmente.
Existiram
muitos sumos sacerdotes de acordo com a ordem de Aarão, já que a morte não
permitia que houvesse só um. Mas esse Um, de acordo com a ordem de Melquisedec,
permanecendo eternamente, tem um sacerdócio que não passa (Hebreus 7:23-24).
Aqueles
sumos sacerdotes eram cobertos com enfermidade; mas o Sumo Sacerdote é perfeito
para sempre (Hebreus 7:28).
Aqueles
eram sacerdotes do tabernáculo terrestre feito por mãos; mas esse Um é o
Executor sagrado do tabernáculo eterno não feito por mãos (Hebreus 9:24).
Aqueles
sumos sacerdotes entraram no local sagrado como sangue de bodes e bezerros; mas
esse Um com seu próprio sangue entrou uma vez no local sagrado e obteve uma
redenção eterna (Hebreus 9:12).
Eles
foram sacerdotes do Antigo Testamento; enquanto esse Um é o sacerdote do Novo
Testamento (Hebreus 8:6).
B. Cristo, o Profeta e
Mestre
O
ministério profético do nosso Senhor, Jesus Cristo, foi expressado no fato que
Ele proclamou aos homens, em toda totalidade e clareza acessível a eles, a
vontade do Pai celestial, para a salvação do mundo; e concedeu ao homem a mais
perfeita lei de fé e misericórdia que serve ao propósito de salvação pela graça
mediante a fé do povo de Deus, a Igreja de Cristo. Esse ministério foi
executado pelo próprio Senhor e através de Seus discípulos, que de acordo com
Seus mandamentos, proclamaram as boas novas do evangelho do Reino para todos os
povos e entregaram-nas à Igreja em todos os tempos.
A
Boa Nova do evangelho do Reino foi preparada ao longo da história (Marcos
1,1-8), foi proclamada solenemente pelo Pai na hora do batismo de Jesus (Marcos
1,9-11), foi testada e aprovada no deserto (Marcos 1,12-13). Agora aparece o
resultado da longa preparação: Jesus anuncia a Boa Nova do Reino de Deus
publicamente ao povo (Marcos 1,14-15) e convoca outras pessoas a participar do
anúncio (Marcos 1,16-20).
O
ensinamento evangélico de fé é o ensinamento:
·
a
respeito de Deus, nosso Todo-poderoso Deus, a Quem nós somos ensinados a apelar
com o grito de um filho: "Pai Nosso." A respeito a verdadeira
revelação de Deus aos homens. O Salvador fala na oração antes de Seus
sofrimentos: "Manifestei o teu nome aos homens... e eu lhes fiz conhecer o
teu nome" (João 17:6, 26).
·
a
respeito da vinda do Verbo ao mundo — a vida do Unigênito Filho de Deus — para
a salvação dos homens e para a reunião deles com Deus.
·
a
respeito do Espírito Santo, nosso Confortador e Santificador;
·
a
respeito da natureza e propósito do homem; a respeito da natureza corrompida
pelo pecado; o novo nascimento pelo Espírito Santo ; a urgência do
arrependimento; a salvação pela graça mediante a fé em Cristo e a santificação;
·
a
respeito do Reino de Deus e da Igreja do Novo Testamento; a respeito do
Julgamento Geral e o destino final do mundo e do homem.
O
ensinamento evangélico se resume aos mandamentos de Cristo: amar a Deus e ao
próximo, que é apresentado mais extensamente no Antigo Testamento, e que
inspira a completa devoção a Deus pelos seus filhos. Muitos destes mandamentos
da lei moral estão apresentados de forma concentrada no Sermão da Montanha. Por
exemplo, lá estão os mandamentos de perdoar as ofensas e amar os inimigos, de
autonegação e humildade, de verdadeira pureza, não só corporal, mas também
espiritual, de serviço mútuo de acordo com o exaltado exemplo do próprio
Salvador, e de outras coisas que são exigidas de um Cristão.
Enquanto
o Antigo Testamento em suas leis inspira a cumprir os mandamentos
principalmente para uma prosperidade terrena e temporal, o Novo Testamento
inspira para todas as coisas, tanto aqui e agora, como eternas e espirituais.
A
lei do Antigo Testamento, no entanto, não foi ab-rogada pelo Salvador, ela só
foi elevada; foi-lhe dada uma interpretação mais perfeita; foi colocada sobre
melhores bases. Com a vinda do Novo Testamento (Tempo), foi a lei ritual
Judaica que foi ab-rogada e reconsiderados a lei civil de Israel a luz da
realidade presente do Reino de Deus.
A
respeito da relação dos Cristãos com o Antigo Testamento, o Teodoreto de Cirro
raciocina assim: "Assim como mães de recém-nascidos nutrem por meio do
peito, e depois comida leve, e finalmente, quando eles se tornam crianças ou
jovens, dão a eles comida sólida, assim também o Deus de todas as coisas de
tempos em tempos deu aos homens ensinamentos mais perfeitos. Mas, apesar de
tudo isso, nós reverenciamos o Antigo Testamento como o peito da mãe, só não
tomamos leite dele; os perfeitos não têm necessidade de leite de uma mãe,
apesar de deverem reverenciá-la por que foi dela que eles receberam o
desenvolvimento. Assim nós também, apesar de não mais observar a circuncisão, o
sábado, as ofertas de sacrifício, os borrifamentos — não o mínimo, nós tiramos
do Antigo Testamento um benefício diferente: por ele, de modo prefeito, nos
introduz em piedade, em fé de Deus, em amor pelo próximo, em continência, em
justiça, em coragem e acima de tudo pela imitação dos exemplos dos antigos
Santos" (Teodoreto de Cirro, "Brief Exposition of the Divine
Dogmas").
A
lei dos Evangelhos foi dada para todos os tempos, até o final dos tempos, e não
está sujeita a ser ab-rogada ou modificada.
A
lei dos Evangelhos é dada para todos os homens, e não para um só povo, como foi
a lei do Antigo Testamento.
Por
essas razões, a fé e ensinamentos dos Evangelhos é chamada pelos Padres da
Igreja de "Católica," isto é, englobando todos os homens em todos os
tempos e lugares.
C. Cristo, o Rei do
Mundo
O
Filho de Deus, o Criador do céu e da terra, o Rei Eterno de acordo com a
Divindade, é Réu também de acordo com Seu Deus-Humano, do Seu ministério na
terra, até Sua morte na Cruz, e em Sua condição glorificada após a
Ressurreição.
O
Profeta O profetizou como um Rei, como lemos no Profeta Isaias: "Porque um
menino nos nasceu, um filho se nos deu; e o principado está sobre os seus
ombros; e o seu nome será: Maravilhoso, Conselheiro, Deus Forte, Pai da
eternidade, Príncipe da Paz ... do incremento deste principado e da paz, não
haverá fim, sobre o trono de Davi, e no Seu Reino" (Isaías 9:6-7).
O
ministério Real do Senhor antes de Sua Ressurreição foi expresso: a) em Seus
milagres, em Sua autoridade sobre a natureza; b) em Sua autoridade sobre os
poderes do inferno, a respeito da qual há testemunhos de Seus inúmeros
exorcismos de demônios a palavra do Senhor: "E disse-lhes: Eu via Satanás,
como raio, cair do céu" (Lucas 10:18); c) em Sua autoridade sobre a morte,
manifestada na Ressurreição do filho da viúva de Naim, a irmã de Jairo, e
Lázaro dos quatros dias.
O
próprio Senhor Jesus Cristo fala de Si como um Rei antes de Sua Ressurreição
quando Ele estava sendo julgado por Pilatos: "O meu Reino não é deste
mundo" (João 18:36). Ele disse a eles: "É-me dado todo o poder no céu
e na terra" (Mateus 28:18).
Depois
de Sua Ascensão o Deus-Homem Cristo é Cabeça do céu, da terra e do submundo. Ao
inferno e Sua vitória sobre eles, sua destruição das amarras dele; adiante, em
Sua Ressurreição e vitória sobre a morte; e finalmente, na Ascensão de Jesus
Cristo e a abertura do Reino do Céu para todos aqueles que acreditam Nele.
O
próprio Senhor, Jesus Cristo, anunciou a chegada do Reino de Deus, “Daí por
diante, passou Jesus a pregar e a dizer: Arrependei-vos, porque está próximo o
reino dos céus” (Mateus 4:17). A promessa esperada do Messias, se faz realidade
em Cristo. A mensagem do evangelho é uma mensagem do domínio divino. A mensagem
de paz e salvação anunciada é o simples e importante fato de que Deus reina. A
chegada do reino dos céus foi um dos principais temas da pregação de João
Batista (Mateus 3:2).
O
domínio do Senhor sugere a derrota de outro, que dominava antes. O contexto de
Isaías 52 trata de outros que dominavam sobre o povo de Deus. A mesma linguagem
é usada em Naum para falar sobre a queda da Assíria diante do poder de Deus:
“Eis sobre os montes os pés do que anuncia boas-novas, do que anuncia a paz!
Celebra as tuas festas, ó Judá, cumpre os teus votos, porque o homem vil já não
passará por ti; ele é inteiramente exterminado” (Naum 1:15). Para estabelecer
um rei, é necessário tirar outro.
Quando
esse tema do evangelho do reino é apresentado no Novo Testamento, a mensagem
inclui essa noção da derrota de um dominador para dar lugar ao verdadeiro
Soberano. Quando Jesus chamava as pessoas a se arrependerem, ele exigia a
rejeição do domínio do pecado para dar lugar para seu reinado na vida de cada
um. Paulo explicou esta mudança importante quando escreveu: “sabendo isto: que
foi crucificado com ele o nosso velho homem, para que o corpo do pecado seja
destruído, e não sirvamos o pecado como escravos; . . . Assim também vós
considerai-vos mortos para o pecado, mas vivos para Deus, em Cristo Jesus. Não
reine, portanto, o pecado em vosso corpo mortal, de maneira que obedeçais às
suas paixões; nem ofereçais cada um os membros do seu corpo ao pecado, como
instrumentos de iniquidade; mas oferecei-vos a Deus, como ressurretos dentre os
mortos, e os vossos membros, a Deus, como instrumentos de justiça. Porque o
pecado não terá domínio sobre vós; pois não estais debaixo da lei, e sim da
graça” (Romanos 6:6,11-14).
FONTE:
PESPEK
Via:
Café com Bispo
